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Dino denuncia milhares de ameaças contra ministros do STF e aponta o X como principal foco de ataques

Dino denuncia milhares de ameaças contra ministros do STF e aponta o X como principal foco de ataques

Flávio Dino divulgou trechos de um relatório do STF com milhares de mensagens de ameaças contra ministros e apontou o X como principal foco de publicações hostis. O ministro afirmou que não mudará suas decisões por intimidação. O episódio também reforça a necessidade de distinguir ameaças criminosas de críticas legítimas ao Judiciário.

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (9) que recebeu um relatório de segurança da Corte com milhares de mensagens contendo ameaças de morte e agressões contra ministros.

Entre as publicações identificadas estão ameaças de fuzilamento, explosões, enforcamento e outras formas de violência. Segundo o levantamento, a rede social X, antigo Twitter, concentra o maior volume e a maior proporção de mensagens hostis contra o tribunal.

O material foi divulgado parcialmente pelo próprio ministro nas redes sociais. O STF não publicou o documento completo, alegando questões de segurança.

Ministros são ameaçados de morte nas redes sociais

As mensagens apresentadas por Dino incluem ataques contra ele e outros integrantes do Supremo, como Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

Uma das publicações mencionava o fuzilamento do ministro. Outra defendia uma invasão ao STF e violência contra magistrados.

Parte dos ataques foi registrada depois do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro.

Ameaçar matar uma pessoa, seja ela ministro, político ou cidadão comum, não pode ser confundido com liberdade de expressão.

Dino afirma que não vai mudar suas decisões

Ao comentar o relatório, Flávio Dino declarou que as ameaças não terão influência sobre seu trabalho no Supremo.

“O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência.”

O ministro também afirmou que nunca respondeu a um processo criminal em seus 37 anos de serviço público.

Para Dino, permitir que ameaças determinem o comportamento de um juiz colocaria em risco o próprio funcionamento da Justiça.

“Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição.”

Mas criticar o STF também é um direito do brasileiro

A denúncia de ameaças é grave e merece investigação. Quem ameaça matar uma autoridade deve responder por seus atos, desde que a responsabilidade seja comprovada.

Mas existe uma diferença enorme entre ameaçar um ministro e criticar suas decisões.

O cidadão tem o direito de discordar do STF, questionar decisões de Alexandre de Moraes, Flávio Dino ou qualquer outro magistrado, cobrar transparência e defender mudanças nas regras do Judiciário.

Também é legítimo discutir o impeachment de ministros pelos caminhos previstos na Constituição.

Uma crítica dura não se transforma automaticamente em ameaça apenas porque incomoda uma autoridade.

O STF precisa ser protegido, mas também fiscalizado

O Supremo tem a responsabilidade de defender a Constituição e garantir os direitos dos brasileiros.

Isso não significa que seus ministros estejam acima de questionamentos.

Decisões sobre bloqueios de redes sociais, investigações, prisões e manifestações políticas provocaram debates intensos nos últimos anos.

Esses assuntos precisam continuar sendo discutidos livremente pela sociedade.

Proteger magistrados contra ameaças reais é uma obrigação do Estado. Proteger o direito do cidadão de criticar o poder também é.

Relatório completo ainda não foi divulgado

O levantamento foi produzido pela Secretaria de Polícia Judicial do STF.

Embora Dino tenha divulgado exemplos das mensagens recebidas, o documento completo não foi apresentado ao público.

Por isso, ainda não é possível verificar de forma independente todos os números, os critérios usados para classificar as mensagens ou a comparação entre as diferentes redes sociais.

Isso não diminui a gravidade das ameaças exibidas, mas reforça a importância da transparência quando um relatório é utilizado em um debate público sobre redes sociais e liberdade de expressão.

A democracia precisa proteger os dois lados

O Brasil vive um momento de forte divisão política, e o debate sobre o STF ganhou ainda mais força com as eleições de 2026.

Nesse ambiente, é fundamental separar a crítica política da ameaça criminosa.

Ninguém deve ser ameaçado de morte por exercer uma função pública. Da mesma forma, ninguém deve ser tratado como criminoso simplesmente por discordar de um ministro.

O STF precisa ter liberdade para julgar. E o brasileiro precisa ter liberdade para questionar o STF. Uma coisa não pode eliminar a outra.

Fontes: Folha de S.Paulo, Metrópoles, Rádio Itatiaia e declaração pública de Flávio Dino.

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