Duda Salabert aciona Ministério Público por vídeo de Nikolas Ferreira com crianças; deputado reage e critica iniciativa
Duda Salabert pediu ao Ministério Público de Minas Gerais que apure a participação de crianças em vídeo de Nikolas Ferreira com críticas a Lula. O deputado reagiu nas redes sociais. Ainda não há conclusão oficial sobre eventual irregularidade.
A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) acionou, nesta segunda-feira (12), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para solicitar a apuração de um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no Dia das Crianças.
Na gravação, crianças fazem críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pedem aos eleitores que não votem no partido nas eleições presidenciais.
A iniciativa de Duda provocou uma reação de Nikolas nas redes sociais e ampliou o debate sobre a participação de menores de idade em conteúdos políticos.
O que Duda Salabert quer investigar?
A parlamentar solicita que o Ministério Público examine as condições em que o vídeo foi produzido e divulgado, incluindo a eventual necessidade de autorização judicial para a participação das crianças.
O pedido também menciona o cumprimento das normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e em outras regras de proteção à infância.
Segundo a justificativa apresentada, o objetivo é verificar se houve alguma irregularidade e solicitar providências caso sejam identificadas violações.
O simples encaminhamento da representação não significa que Nikolas tenha cometido uma infração ou que uma investigação formal já tenha sido instaurada.
Vídeo critica Lula e pede mudança nas urnas
Com aproximadamente dois minutos e doze segundos, a gravação publicada por Nikolas Ferreira apresenta crianças comentando temas como segurança pública, custo de vida e o cenário eleitoral brasileiro.
Em uma das passagens, o roteiro associa Lula e seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, a supostos desvios de dinheiro, sem apresentar provas que sustentem a acusação.
Ao final, as crianças fazem referência ao segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, e utilizam uma frase associada à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
O conteúdo ganhou repercussão nas redes sociais, tanto pelo posicionamento político quanto pela participação infantil na mensagem eleitoral.
Nikolas reage à iniciativa
Após a divulgação do pedido de Duda Salabert, Nikolas Ferreira respondeu aos questionamentos por meio de uma publicação na rede social X.
O deputado escreveu:
“Obrigado por dar mais um motivo aos pais pra afundar o 22”.
A manifestação foi interpretada como uma resposta política à iniciativa da parlamentar.
Na publicação citada, entretanto, Nikolas não apresentou esclarecimentos específicos sobre as condições de gravação ou sobre as autorizações relacionadas à participação das crianças.
Crianças podem participar de conteúdos políticos?
A legislação brasileira não estabelece uma proibição absoluta à presença de crianças em manifestações políticas ou à expressão de opiniões por menores de idade.
Entretanto, a participação infantil em produções destinadas à divulgação político-eleitoral pode exigir uma análise específica sobre proteção da imagem, consentimento dos responsáveis, natureza da atividade e eventual exposição indevida.
Especialistas em direito da infância ressaltam que a autorização dos pais, isoladamente, não afasta todas as obrigações de proteção previstas na legislação.
Por outro lado, a avaliação jurídica depende das circunstâncias concretas de cada produção. A existência de crianças em um vídeo com conteúdo político não permite concluir automaticamente que houve ilegalidade.
Debate ganha força durante o segundo turno
A controvérsia ocorre em um momento de intensa disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O episódio coloca em discussão duas questões importantes: o direito à manifestação política e os limites para a utilização da imagem de crianças em conteúdos de campanha.
Enquanto Duda Salabert defende a apuração das circunstâncias da gravação, Nikolas Ferreira respondeu politicamente à iniciativa, sem tratar diretamente dos pontos jurídicos levantados.
Caberá às autoridades competentes avaliar se houve irregularidade, respeitando os direitos das crianças, a liberdade de expressão e as garantias legais dos envolvidos.
Fontes: Poder360, Metrópoles, Estado de Minas e Congresso em Foco. Publicações de 12 e 13 de outubro de 2026.