E se fosse com a esquerda? Internautas cobram de Fábio Porchat o mesmo rigor após revelação envolvendo Vorcaro e filme sobre Lula
Após Fábio Porchat apresentar um documentário sobre ligações do Banco Master com figuras da direita, novas alegações envolvendo um suposto pagamento de R$ 30 milhões para um filme sobre Lula levantaram cobranças por tratamento igualitário. A acusação não foi comprovada, mas o episódio reacendeu o debate sobre seletividade política nas investigações e produções jornalísticas.
O humorista Fábio Porchat, que recentemente apresentou uma produção sobre as relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e figuras políticas ligadas à direita, agora está no centro de uma cobrança: será que o mesmo rigor será aplicado quando surgem acusações envolvendo pessoas ligadas à esquerda?
O questionamento ganhou força após a revista Veja divulgar, nesta sexta-feira (9), um áudio atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no qual ele afirma ter destinado R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre o presidente Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.
A acusação ainda não foi comprovada. Mesmo assim, a divulgação trouxe novamente ao debate a necessidade de investigar as relações do Banco Master com políticos de diferentes partidos.
Porchat mostrou as ligações do Master com a direita
Em setembro, Fábio Porchat apresentou o episódio “Grandes Igrejas, Master Negócios”, da série Revelando.
O documentário abordou as relações entre a família de Daniel Vorcaro, o pastor André Valadão, a Igreja Batista da Lagoinha e personagens políticos como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
A produção também discutiu doações políticas, operações financeiras e as suspeitas investigadas no escândalo do Banco Master.
O episódio teve grande repercussão nas redes sociais e alcançou milhões de visualizações.
Agora, diante das novas alegações envolvendo o documentário sobre Lula, surge uma pergunta dirigida ao humorista e aos responsáveis pela série: as relações do banqueiro com pessoas ligadas ao PT também serão examinadas?
Áudio atribuído a Vorcaro menciona R$ 30 milhões para filme sobre Lula
Segundo a revista Veja, Daniel Vorcaro teria relatado um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar uma produção audiovisual sobre Lula.
A reportagem também menciona supostas negociações envolvendo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o Instituto Lula.
Entretanto, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República afirmaram que Vorcaro não prestou depoimento oficial com esse conteúdo nem apresentou documentos que comprovassem o suposto financiamento.
A equipe de Oliver Stone negou ter recebido recursos do banqueiro. A defesa de Lula também contestou a acusação e pediu investigação sobre a gravação.
Portanto, não existe, até o momento, comprovação pública de que os R$ 30 milhões tenham sido pagos.
Quando a suspeita envolve a direita, vira documentário. E quando envolve a esquerda?
Essa é a principal cobrança levantada na discussão.
Se as relações de Vorcaro com figuras próximas ao bolsonarismo merecem um documentário, suas possíveis relações com pessoas próximas ao PT também são assuntos de interesse público.
O combate à corrupção não pode depender da preferência política de quem apresenta uma reportagem.
É legítimo investigar empresários, pastores, parlamentares e dirigentes ligados à direita. Mas também é necessário examinar com seriedade denúncias que envolvam políticos, consultores e organizações ligadas à esquerda.
O critério deve ser o mesmo: documentos, provas, direito de resposta e disposição para investigar, independentemente do partido.
Isso não significa que Porchat seja obrigado a produzir um novo episódio imediatamente, sobretudo porque a denúncia divulgada nesta sexta-feira ainda enfrenta questionamentos sobre sua autenticidade e falta de comprovação.
Mas a pergunta sobre o alcance editorial da série continua válida.
Não basta denunciar corrupção apenas de um lado
O Banco Master estabeleceu relações com empresários, políticos e pessoas influentes de diferentes setores.
Uma investigação completa precisa acompanhar todas as conexões relevantes, sem transformar proximidade política em prova automática de crime.
Da mesma forma, não seria correto descartar uma denúncia verdadeira apenas porque ela poderia prejudicar determinado grupo político.
O público tem o direito de esperar que produções apresentadas como investigações jornalísticas utilizem critérios semelhantes para examinar personagens de diferentes posições ideológicas.
Porchat vai atualizar o documentário?
Até o momento, não há confirmação pública de que Fábio Porchat ou os responsáveis pela série Revelando estejam preparando um novo episódio sobre as alegações de financiamento do filme de Lula.
Também não há elementos suficientes para afirmar que o humorista tenha decidido ignorar o assunto por razões políticas.
O que existe é uma cobrança sobre a coerência de uma produção que se propõe a investigar as relações entre dinheiro e poder.
A pergunta que fica é simples: se a corrupção não tem partido, a investigação também não deveria ter. E se novas provas surgirem contra pessoas ligadas à esquerda, o tratamento será tão rigoroso quanto aquele dado às suspeitas envolvendo a direita?
Fontes: Revista Veja, Folha de S.Paulo, UOL, TVT News e série Revelando.