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Eleição pode mudar jogo no Senado e dificultar bloqueio de impeachment de Moraes, dizem aliados de Alcolumbre

Eleição pode mudar jogo no Senado e dificultar bloqueio de impeachment de Moraes, dizem aliados de Alcolumbre

Aliados de Davi Alcolumbre dizem que ele aguardará o resultado das eleições e a composição dos 54 novos senadores antes de definir sua posição sobre impeachment no STF. Dependendo do novo Senado, pessoas próximas admitem que poderá ficar mais difícil impedir a abertura de processo contra Moraes.

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O resultado das eleições de outubro poderá alterar significativamente a correlação de forças no Senado e, com ela, o destino dos pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo informações atribuídas a pessoas próximas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a composição da Casa a partir de 2027 será determinante para definir como o comando do Legislativo lidará com a pressão pelo afastamento de integrantes do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes.

Aliados afirmam que Alcolumbre permanece contrário ao impeachment de Moraes. O cenário, entretanto, poderá ficar mais complicado para o presidente do Senado dependendo de quem sair das urnas.

54 cadeiras estarão em disputa

A eleição deste ano é especialmente importante porque haverá renovação de dois terços do Senado.

Serão escolhidos 54 senadores, dois por unidade da Federação, enquanto outros 27 continuarão exercendo seus mandatos.

Segundo a Folha de S.Paulo, uma pessoa próxima a Alcolumbre afirma que o senador pretende observar não apenas quem vencerá a eleição presidencial, mas também o perfil político dos 54 novos integrantes da Casa.

Somente depois desse novo desenho político seria tomada uma decisão sobre eventual abertura de processo de impeachment e contra qual ministro.

Aliados admitem dificuldade para segurar processo

Esse é o principal elemento novo da discussão.

Alcolumbre mantém sua resistência ao afastamento de Moraes, mas integrantes de seu entorno reconhecem que uma mudança significativa na composição do Senado poderá reduzir sua capacidade política de manter os pedidos parados.

Se um número expressivo de senadores favoráveis à abertura de processos contra ministros do STF for eleito, a pressão sobre a presidência da Casa tende a assumir uma configuração diferente da atual.

Isso não significa, entretanto, que o impeachment de Moraes esteja definido ou que necessariamente será aberto em 2027.

Impeachment virou tema da eleição para o Senado

A relação entre Senado e Supremo ganhou espaço incomum na campanha eleitoral de 2026.

Candidatos de diferentes estados passaram a ser questionados diretamente sobre como votariam diante de um eventual processo de impeachment de ministros da Corte.

O tema ganhou ainda mais força depois da divulgação de informações da investigação do Banco Master envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificaram a pressão sobre Alcolumbre e passaram a cobrar publicamente a abertura de processo contra Moraes.

Flávio pressiona Alcolumbre

Flávio Bolsonaro defende que Moraes deixe o Supremo e vem cobrando uma reação do Senado diante das informações reveladas no caso Master.

Senadores como Carlos Portinho, Cleitinho e Carlos Viana também fizeram cobranças públicas a Alcolumbre.

Até agora, porém, o presidente do Senado não cedeu à pressão.

No início de setembro, pessoas próximas a Alcolumbre afirmavam que a possibilidade de ele abrir naquele momento um processo contra Moraes era praticamente inexistente.

109 pedidos no Senado

O próprio Alcolumbre revelou recentemente a dimensão da pressão acumulada sobre a Casa.

Segundo ele, existem 109 pedidos de impeachment relacionados aos dez ministros do Supremo.

O número inclui diferentes pedidos apresentados ao longo dos últimos anos e não significa que todos sejam contra Alexandre de Moraes ou que preencham necessariamente os requisitos jurídicos para avançar.

Alcolumbre chegou a afirmar que considera anormal a existência de tamanha quantidade de solicitações.

Caso Master aumentou pressão

A crise envolvendo o Banco Master colocou novamente Alexandre de Moraes no centro das cobranças feitas ao Senado.

Informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelaram contatos do empresário com autoridades e passaram a ser analisadas pela Polícia Federal e pelo próprio Supremo.

Moraes nega ter cometido irregularidades e contesta a validade e a interpretação de elementos utilizados nas investigações.

A existência de contatos ou mensagens, isoladamente, não estabelece responsabilidade criminal ou crime de responsabilidade.

Alcolumbre também olha para a própria eleição

Há ainda outro componente político importante.

Alcolumbre pretende permanecer no comando do Senado na próxima legislatura, segundo aliados ouvidos pela Folha.

A eleição para a presidência da Casa ocorre tradicionalmente no início dos trabalhos do Congresso, em fevereiro.

Por isso, a força adquirida por diferentes grupos políticos depois das eleições nacionais poderá influenciar não apenas os pedidos contra ministros do STF, mas também as articulações para o comando do próprio Senado.

Segundo a reportagem, aliados avaliam que a pauta do impeachment poderá entrar nessas negociações políticas.

Pesquisa mostra eleitorado dividido

O assunto também chegou ao eleitor.

Pesquisa Datafolha divulgada em setembro mostrou que 34% dos entrevistados afirmaram ter mais chance de votar em um candidato ao Senado que apoie impeachment de ministros do STF.

Outros 31% disseram que essa posição diminuiria sua possibilidade de votar no candidato, enquanto 30% afirmaram que o tema não alteraria sua escolha.

O levantamento ouviu 2.001 pessoas em 125 municípios e possui margem de erro de dois pontos percentuais.

Urnas poderão mudar correlação de forças

Por enquanto, portanto, Alcolumbre continua sendo um obstáculo político ao avanço do impeachment de Moraes.

Mas a eleição de 54 novos senadores poderá alterar profundamente a correlação de forças existente dentro da Casa.

É justamente essa nova composição que aliados dizem que o presidente do Senado pretende conhecer antes de tomar decisões sobre uma das pautas mais explosivas da relação entre Congresso e Supremo.

Não há, neste momento, decisão de Alcolumbre de abrir o impeachment de Alexandre de Moraes depois das eleições. O que existe é a avaliação de pessoas próximas de que, dependendo do Senado escolhido pelos eleitores, impedir o avanço de um processo poderá se tornar politicamente mais difícil.

Fontes: Folha de S.Paulo; UOL; declarações públicas de Davi Alcolumbre; Datafolha.

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