“Exército de Lula” passa de 1 milhão no WhatsApp; Janones aposta em virada contra Flávio
O canal “Exército do Lula”, coordenado por André Janones no WhatsApp, saltou de cerca de 50 mil para mais de 1 milhão de inscritos após o primeiro turno. Janones afirma que Lula será reeleito, mas o crescimento digital não significa automaticamente conquista de novos votos.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) intensificou a mobilização digital em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno na liderança da disputa presidencial.
A principal aposta do parlamentar é o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, que registrou crescimento acelerado nos primeiros dias após a votação.
O espaço tinha aproximadamente 50 mil integrantes antes do primeiro turno e ultrapassou a marca de 1 milhão de inscritos até terça-feira (6).
Janones comemorou o crescimento nas redes sociais e demonstrou confiança em uma virada no segundo turno.
“Vamos ganhar essa eleição. Lula será reeleito presidente do Brasil.”
Canal cresce rapidamente depois do primeiro turno
Embora tenha ganhado projeção somente agora, o “Exército do Lula” não foi criado depois da eleição de domingo.
O canal existe desde abril e anteriormente era utilizado principalmente na comunicação relacionada ao próprio Janones.
Depois do resultado do primeiro turno, o deputado transformou o espaço em uma espécie de central de mobilização digital para a campanha de Lula.
Janones passou a divulgar orientações aos participantes e incentivá-los a convidar outras pessoas para ampliar a rede.
Segundo reportagens publicadas nesta semana, o canal saltou de aproximadamente 50 mil integrantes para mais de 1 milhão em menos de dois dias.
Janones aposta em mobilização para buscar virada
A estratégia tem como objetivo aumentar a presença da campanha de Lula nas redes sociais e aplicativos de mensagens.
Janones pretende coordenar apoiadores, influenciadores e políticos para ampliar a circulação de vídeos, textos e conteúdos favoráveis ao presidente.
O deputado também reconheceu que setores da direita construíram nos últimos anos uma estrutura digital com grande capacidade de mobilização.
Agora, tenta utilizar uma estratégia semelhante para organizar a militância ligada à candidatura de Lula.
Flávio começou segundo turno na frente
A reação digital acontece depois de um resultado desfavorável ao presidente no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro terminou com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.
A diferença foi de 1,87 ponto percentual, equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Nenhum dos dois atingiu a maioria absoluta dos votos válidos, levando a eleição para o segundo turno marcado para 25 de outubro.
1 milhão no WhatsApp não significa 1 milhão de novos votos
O crescimento do canal demonstra capacidade de mobilização digital, mas não permite concluir que Lula tenha conquistado número equivalente de novos eleitores.
Não há indicação de que todos os integrantes sejam eleitores indecisos ou pessoas que tenham votado em outros candidatos no primeiro turno.
Uma parcela pode ser formada justamente por eleitores que já votaram em Lula e agora procuram participar mais ativamente da campanha.
Também não é possível transformar diretamente número de seguidores, visualizações, curtidas ou compartilhamentos em intenção de voto.
Por isso, afirmações de que o crescimento do “Exército do Lula” comprovaria uma virada eleitoral precisariam de outros indicadores, como pesquisas de intenção de voto realizadas depois do primeiro turno.
Janones quer chegar a até 3 milhões
O crescimento acima do esperado levou Janones a ampliar sua meta.
Segundo relatos publicados pela imprensa, o deputado pretende levar o canal para algo entre 2 milhões e 3 milhões de integrantes.
A estratégia inclui pedir que participantes tragam novos usuários e distribuam conteúdos da campanha em diferentes plataformas.
A iniciativa mostra que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro também será travada intensamente no ambiente digital nas próximas semanas.
Se essa mobilização será capaz de reduzir ou reverter a vantagem obtida por Flávio no primeiro turno, entretanto, somente pesquisas posteriores e, principalmente, as urnas de 25 de outubro poderão responder.
Fontes: Folha de S.Paulo; Estado de Minas; Metrópoles; O Dia; resultados oficiais da Justiça Eleitoral.