Flávio Bolsonaro admite rever fim da escala 6x1 se eleito e defende compensação financeira para empresas
Após anunciar apoio ao fim da escala 6x1, Flávio Bolsonaro sinaliza a empresários que poderá propor ajustes na medida caso seja eleito e defende compensação financeira às empresas.
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou a empresários que poderá propor ajustes nas regras do fim da escala de trabalho 6x1 caso seja eleito presidente. A possibilidade foi discutida durante um encontro com representantes do setor produtivo, realizado na terça-feira (13), em São Paulo.
A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e repercutida pelo InfoMoney nesta quarta-feira (14). Segundo os relatos, o senador pretende avaliar os impactos econômicos da redução da jornada antes de definir eventuais mudanças.
Flávio anunciou voto favorável ao fim da escala 6x1
Horas antes do encontro com empresários, Flávio Bolsonaro declarou que votaria a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, com redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, duas folgas por semana e manutenção dos salários.
O senador justificou seu posicionamento afirmando que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja a mudança. Entretanto, ressaltou que a implementação da nova jornada poderá gerar custos adicionais para as empresas.
Empresários demonstram preocupação com os custos
Durante a reunião, representantes da indústria, comércio, serviços e agronegócio manifestaram preocupação com os possíveis efeitos da redução da jornada sobre a contratação de funcionários, os custos operacionais e a competitividade das empresas.
Entre os participantes estavam Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Tirso Meirelles, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), e Alfredo Cotait Neto, da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).
Segundo as informações divulgadas, Flávio e seus interlocutores discutiram a possibilidade de apresentar propostas ao Congresso Nacional para ajustar a aplicação das novas regras em setores que enfrentem dificuldades.
Candidato defende compensação financeira pelo governo
Flávio Bolsonaro também defendeu que o governo federal assuma parte dos custos adicionais provocados pela redução da jornada de trabalho.
O senador argumentou que empresas poderão precisar contratar novos funcionários para manter suas atividades, especialmente em setores que funcionam durante toda a semana.
Até o momento, porém, não foi apresentado um mecanismo detalhado de compensação financeira nem uma estimativa dos recursos públicos necessários para financiar a medida.
Mudanças dependeriam de aprovação do Congresso
O fim da escala 6x1 está em discussão no Congresso Nacional e é uma das propostas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Caso a redução da jornada seja incorporada à Constituição, eventuais mudanças nas regras constitucionais dependerão de uma nova Proposta de Emenda à Constituição, com aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, exigindo o apoio de três quintos dos parlamentares de cada Casa.
Embora tenha sinalizado a possibilidade de ajustes, Flávio Bolsonaro não apresentou uma proposta definitiva para modificar a jornada de trabalho caso vença as eleições.
Fontes: Folha de S.Paulo, coluna Painel (14/10/2026), e InfoMoney (14/10/2026).