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Flávio Bolsonaro vai acabar com a liberdade? Entenda

Flávio Bolsonaro vai acabar com a liberdade? Entenda

Publicação de Marcelo Toledo questiona a afirmação de que Flávio Bolsonaro acabaria com a liberdade no Brasil. A matéria compara os governos Bolsonaro e Lula, relembra prisões, bloqueios de redes sociais, decisões do STF e dados econômicos, e cobra provas concretas de acusações políticas.

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Uma publicação de Marcelo Toledo, divulgada nas redes sociais em 7 de outubro, levantou uma pergunta que merece ser feita a todos que afirmam que Flávio Bolsonaro representa uma ameaça à democracia brasileira:

Qual liberdade, exatamente, Flávio Bolsonaro pretende tirar dos brasileiros?

É uma pergunta simples. Mas quem faz uma acusação tão grave precisa apresentar provas. Não basta repetir que a democracia está em perigo, assustar a população ou transformar uma disputa eleitoral em uma guerra entre o bem e o mal.

Até agora, não foi apresentada prova de que Flávio tenha um plano para acabar com as eleições, fechar o Congresso, proibir a oposição ou impedir a imprensa de trabalhar.

E existe um detalhe importante nessa discussão: o Brasil já foi governado por Jair Bolsonaro durante quatro anos. Por isso, vale olhar para o que realmente aconteceu naquele período e comparar com o que acontece hoje.

Bolsonaro governou quatro anos. A oposição acabou?

Não. Durante o governo Jair Bolsonaro, o PT continuou funcionando, Lula continuou fazendo política, a imprensa criticou o presidente e os partidos de oposição organizaram manifestações por todo o país.

O Congresso continuou votando projetos. O Supremo Tribunal Federal continuou tomando decisões, inclusive contra o governo. Governadores e prefeitos mantiveram seus cargos e poderes.

Em 2022, Bolsonaro perdeu a eleição e Lula assumiu a Presidência em janeiro de 2023.

Esses são fatos. O governo Bolsonaro não acabou com o Congresso, não fechou o STF e não proibiu a oposição de disputar eleições.

Isso não significa que tudo tenha sido perfeito. Houve conflitos graves entre Bolsonaro, o Judiciário e a imprensa. Mas dizer que o país viveu quatro anos sem democracia não corresponde ao funcionamento das instituições naquele período.

Mas houve prisão por manifestações durante Bolsonaro?

Sim. E esconder isso também seria errado.

Em 2021, o então deputado Daniel Silveira foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, após publicar um vídeo com ataques a ministros da Corte.

Em 2022, Silveira foi condenado a oito anos e nove meses de prisão. O Supremo entendeu que suas manifestações envolviam ameaças e crimes, e não apenas opiniões políticas.

Roberto Jefferson também foi preso em 2021, durante o governo Bolsonaro, em uma investigação relacionada a ataques contra as instituições.

Portanto, prisões envolvendo discursos políticos não começaram no governo Lula.

Mas é preciso entender uma diferença: criticar um político ou ministro é um direito. Fazer ameaças ou cometer crimes não recebe automaticamente a mesma proteção.

O grande debate está em saber se as decisões judiciais foram justas e se as punições foram proporcionais.

O que tem que ser visto, os que foram presos na gestão Bolsonaro, era aliado do governo ou era aliado da oposição, se esses ameaçaram a instituição brasileira, de qual forma? essas e outras perguntas devem ser feitas imparcialmente. E se ainda as prisões foram justas, ou foi dada a eles por simplesmente serem bolsonaristas penas maiores.

E no governo Lula? O que aconteceu com a liberdade de expressão?

Desde 2023, o Brasil também passou por episódios que levantaram questionamentos sobre os limites do poder do Judiciário.

Em 2024, a rede social X, antigo Twitter, foi bloqueada em todo o território nacional por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Milhões de brasileiros ficaram temporariamente sem acesso à plataforma por causa de uma disputa judicial envolvendo a empresa.

Em 2025, a plataforma Rumble também foi alvo de bloqueio judicial.

Essas decisões foram tomadas pelo STF, não diretamente pelo presidente Lula. Mas isso não muda o fato de que os brasileiros sentiram seus efeitos durante o atual governo. (ou que o Judiciário estava trabalhando para calar os opositores)

A organização internacional Freedom House classificou a internet brasileira como parcialmente livre em seu relatório de 2025.

É justo perguntar: até onde um tribunal pode ir para fazer cumprir suas decisões sem prejudicar a liberdade de milhões de usuários?

Defender a Justiça não significa aceitar qualquer decisão sem questionamento.

O caso Débora do Batom e a discussão sobre penas

Outro caso que provocou forte debate foi o de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom.

Ela foi condenada a 14 anos de prisão por sua participação nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

Débora ficou conhecida por escrever com batom na estátua da Justiça, em Brasília.

A condenação, segundo o STF, não ocorreu apenas pela frase escrita na estátua, mas pelo conjunto de crimes que os ministros entenderam ter sido praticados.

Mesmo assim, a pena de 14 anos gerou questionamentos sobre sua severidade.

Em outubro de 2026, ela recebeu autorização para progredir ao regime semiaberto, permanecendo em prisão domiciliar.

O caso levanta uma pergunta importante: a punição aplicada a cada pessoa corresponde realmente ao que ela fez?

Combater crimes é necessário. Mas garantir penas justas também é obrigação da Justiça.

O STF tem poder demais?

Essa é uma discussão que o Brasil precisa enfrentar.

Nos últimos anos, ministros do Supremo tomaram decisões com impacto direto sobre redes sociais, investigações, políticos, jornalistas e cidadãos comuns.

O STF tem a obrigação de proteger a Constituição. Mas seus ministros também precisam respeitar limites e prestar contas de suas decisões.

Um ministro não pode ser tratado como alguém acima de qualquer crítica.

O mesmo vale para o TSE, os Tribunais de Justiça e qualquer outro órgão público.

Quando uma decisão afeta milhões de brasileiros, é natural que a população cobre explicações, transparência e respeito aos direitos individuais.

Existe aparelhamento político nas instituições?

É importante entender como funciona a escolha de pessoas para cargos de poder.

Presidentes da República indicam ministros do STF. Bolsonaro indicou Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Lula indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino. Alexandre de Moraes foi indicado por Michel Temer.

Essas escolhas são políticas e fazem parte das regras brasileiras.

Mas uma indicação política não significa, por si só, que o ministro esteja trabalhando ilegalmente para o partido de quem o indicou.

O problema aparece quando uma autoridade deixa de agir pelo interesse público para favorecer aliados ou prejudicar adversários.

Isso também pode acontecer fora da Justiça, em ministérios, empresas estatais, órgãos de fiscalização e cargos ocupados por indicação política.

Para afirmar que determinado órgão foi aparelhado, é necessário mostrar provas de favorecimento, interferência ou uso indevido da máquina pública.

O brasileiro tem todo o direito de desconfiar, cobrar e fiscalizar. Mas uma acusação precisa ser sustentada por fatos.

Bolsonaro ampliou a liberdade econômica?

Em 2019, o governo Bolsonaro sancionou a Lei da Liberdade Econômica, que buscou diminuir burocracias e facilitar a vida de quem deseja abrir e manter um negócio.

O governo também flexibilizou regras relacionadas ao acesso legal às armas, defendendo o direito do cidadão à própria segurança.

Durante a pandemia, Bolsonaro se posicionou contra diversas medidas de fechamento do comércio e restrições de circulação.

Essas posições receberam apoio de parte da população, mas também geraram críticas sobre segurança pública e proteção da saúde.

O importante é reconhecer os fatos: houve medidas concretas voltadas à redução da burocracia e à ampliação de determinadas escolhas individuais.

E a economia? O que dizem os números?

A economia brasileira também precisa ser discutida com dados, não apenas com discursos.

Segundo o IBGE, a inflação chegou a 10,06% em 2021, durante o governo Bolsonaro, e terminou 2022 em 5,79%. (Temos que ter com base aqui, que Bolsonaro passou por uma crise gigantesca que foi a pandemia)

No governo Lula, a inflação foi de 4,62% em 2023, 4,83% em 2024 e 4,26% em 2025.

O desemprego médio, que era de 11,8% em 2019, chegou a 5,6% em 2025.

Isso mostra que houve dificuldades e melhorias em diferentes períodos.

Bolsonaro enfrentou uma pandemia mundial, com efeitos sobre preços, empregos e empresas. Lula assumiu em um período de recuperação econômica, mas também enfrenta desafios relacionados aos gastos públicos, à dívida e aos impostos.

Para quem trabalha, o que importa não é apenas a porcentagem anunciada pelo governo. É quanto sobra do salário depois de pagar alimentação, energia, combustível, aluguel e outras despesas.

Por isso, nenhum governo deve receber elogios automáticos ou críticas sem comparação com a realidade.

Se Bolsonaro era uma ameaça à democracia, como Lula voltou ao poder?

Essa é uma das perguntas mais fortes levantadas pela publicação.

Durante o governo Bolsonaro, Lula participou da eleição de 2022, venceu a disputa e assumiu a Presidência.

O resultado mostra que houve alternância de poder e que as instituições eleitorais continuaram funcionando.

O principal adversário político do então presidente conseguiu chegar ao poder pelas urnas.

Flávio Bolsonaro deve ser julgado pelo que faz e pelo que propõe

Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno de 2026 contra Lula e apresenta propostas nas áreas de economia, segurança pública e funcionamento do Estado.

Seus projetos devem ser analisados e questionados, como os de qualquer candidato.

Mas existe uma diferença enorme entre discordar de uma proposta e afirmar que seu autor pretende destruir a democracia.

Quem acusa precisa demonstrar onde está o plano para acabar com eleições, fechar instituições ou retirar direitos dos brasileiros.

Sem provas, uma afirmação tão grave continua sendo uma acusação política, não um fato comprovado.

A liberdade precisa valer para todos

O Brasil não pode ter uma liberdade para quem apoia Lula e outra para quem apoia Bolsonaro.

Quem critica o presidente deve ter seus direitos respeitados. Quem critica o STF também. E quem critica Flávio Bolsonaro precisa ter a mesma liberdade.

O cidadão não deve ter medo de fazer perguntas, discordar de autoridades ou cobrar explicações.

Ao mesmo tempo, liberdade de expressão não é autorização para ameaçar pessoas ou cometer crimes.

A publicação de Marcelo Toledo acerta ao exigir provas de quem acusa Flávio de pretender acabar com a democracia. Mas a defesa da liberdade fica mais forte quando reconhece também os problemas ocorridos durante o governo Bolsonaro.

E a mesma cobrança precisa ser feita ao governo Lula, ao STF, ao TSE e a todas as autoridades que exercem poder sobre a população.

A democracia não pertence a um partido, a um presidente ou a um ministro. Ela pertence aos brasileiros.

É por isso que a discussão não deve terminar com uma frase de campanha. Deve começar com uma cobrança simples: mostrem os fatos, respeitem a Constituição e garantam que a lei seja aplicada igualmente a todos.

Fontes: Supremo Tribunal Federal; IBGE; Freedom House; Tribunal Superior Eleitoral; Agência Brasil; Lei da Liberdade Econômica.

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