“Foi inspirador”: antigo elogio de Marcos Mion a Bolsonaro volta a repercutir nas redes
Vídeo antigo de Marcos Mion elogiando Bolsonaro voltou a circular. A declaração é verdadeira e ocorreu após a mobilização de 2019 pela inclusão de dados sobre autismo no Censo; Mion classificou a postura de Bolsonaro como “inspiradora”, mas ressaltou que seu “partido é o autismo”.
Uma antiga declaração do apresentador Marcos Mion sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a circular nas redes sociais e despertou novamente discussões políticas.
O vídeo é verdadeiro e remonta a 2019, quando Mion participou de uma mobilização para garantir a inclusão de informações específicas sobre pessoas com transtorno do espectro autista nos censos demográficos realizados pelo IBGE.
Pai de Romeo, que é autista, Mion esteve no Palácio do Planalto com Bolsonaro e a então primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Depois do encontro, o apresentador relatou ter ficado impressionado com a postura adotada pelo então presidente diante da reivindicação apresentada pela comunidade autista.
“Confesso que fiquei muito impressionado de ver o presidente falar que ele queria fazer a vontade do povo.”
Mion classificou aquela postura como “inspiradora”.
Mion chegou à reunião esperando um “não”
O contexto completo da declaração ajuda a compreender por que o apresentador reagiu daquela maneira.
Mion contou posteriormente que chegou a Brasília acreditando que a inclusão do autismo no Censo era praticamente uma “causa perdida”.
Segundo seu relato, temia inclusive que sua imagem fosse utilizada para comunicar à comunidade autista uma decisão contrária à reivindicação.
Durante a reunião, representantes do governo e do IBGE discutiram alternativas para a obtenção desses dados.
Mion contou que, em determinado momento, Bolsonaro perguntou diretamente o que a comunidade autista desejava.
O apresentador respondeu que, apesar das alternativas técnicas discutidas durante a reunião, as famílias e entidades que ele representava queriam a inclusão no Censo.
Segundo Mion, Bolsonaro então decidiu sancionar a proposta.
Bolsonaro sancionou lei sobre autismo no Censo
Em 18 de julho de 2019, Bolsonaro sancionou a Lei nº 13.861/2019, que determinou a inclusão das especificidades relacionadas ao transtorno do espectro autista nos censos demográficos.
A mobilização pela medida era anterior ao encontro e envolvia entidades, familiares, ativistas e parlamentares. Mion tornou-se uma das figuras públicas mais conhecidas na defesa da proposta.
O apresentador comemorou a sanção e afirmou que a comunidade autista passava a ganhar maior visibilidade nas estatísticas oficiais.
Mion também agradeceu a Michelle Bolsonaro
Na ocasião, Mion fez um agradecimento especial à então primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Segundo ele, Michelle teve participação importante na articulação que possibilitou o encontro no Palácio do Planalto.
O apresentador chegou a afirmar que, sem a participação dela, o resultado dificilmente teria ocorrido daquela maneira.
“Meu partido é o autismo”
Apesar dos elogios feitos a Bolsonaro e Michelle naquele episódio, Mion procurou afastar sua atuação de uma declaração de apoio partidário.
Ele resumiu sua posição em uma frase que também ganhou repercussão:
“Minha bandeira é azul. Meu partido é o autismo.”
Mion afirmou que sua atuação política naquele momento tinha como objetivo representar as pessoas com autismo e suas famílias, independentemente do governo ou da orientação partidária de quem estivesse no poder.
Lei Romeo Mion veio depois
Outro episódio importante aconteceu meses depois.
Em 8 de janeiro de 2020, Bolsonaro sancionou a Lei nº 13.977/2020, oficialmente denominada Lei Romeo Mion.
A legislação criou a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), destinada a facilitar a identificação e garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no acesso a serviços públicos e privados, especialmente nas áreas de saúde, educação e assistência social.
A lei recebeu o nome do filho de Marcos Mion.
É importante não confundir as duas medidas: a legislação sobre dados do autismo no Censo foi sancionada em julho de 2019; a Lei Romeo Mion, responsável pela Ciptea, foi sancionada em janeiro de 2020.
Vídeo antigo voltou ao debate político
O reaparecimento das declarações em 2026 fez com que o episódio fosse novamente interpretado dentro do atual ambiente eleitoral.
Historicamente, porém, o que está documentado é que Mion elogiou Bolsonaro naquele episódio específico relacionado à causa do autismo e, simultaneamente, fez questão de dizer que sua atuação não representava adesão político-partidária.
Portanto, o vídeo que circula nas redes não é uma declaração recente.
É um registro verdadeiro de 2019 que voltou a ganhar repercussão sete anos depois.
Fontes: UOL; NaTelinha; Agência Estado; Senado Federal; Lei nº 13.977/2020.