Janja diz que Flávio vai acabar com Farmácia Popular, mas proposta não consta do plano do candidato
Janja afirmou que Flávio Bolsonaro acabará com o Farmácia Popular caso seja eleito. Até agora, porém, não foi encontrada declaração do candidato defendendo essa medida, que também não consta de seu plano de governo. O PL contestou a afirmação.
A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) pretende acabar com o programa Farmácia Popular caso seja eleito presidente da República.
A declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais na noite desta terça-feira (6), em meio à campanha do segundo turno entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“E o Farmácia Popular? Flávio Bolsonaro vai acabar.”
A afirmação chamou atenção por envolver um dos principais programas de distribuição gratuita de medicamentos do país. Até o momento, entretanto, não foi localizada declaração pública de Flávio Bolsonaro defendendo o encerramento do Farmácia Popular.
Medida não aparece no plano de governo
O plano de governo apresentado pela candidatura de Flávio Bolsonaro também não inclui proposta para extinguir o Farmácia Popular.
As propostas apresentadas pelo candidato para a área da saúde falam em ampliar e facilitar o acesso da população a medicamentos.
Entre as medidas está a utilização de mecanismos de entrega de medicamentos em domicílio para determinados grupos, como idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas.
Assim, a afirmação de Janja de que Flávio “vai acabar” com o Farmácia Popular não encontra respaldo, até o momento, em uma proposta formal apresentada pela candidatura.
PL contesta afirmação
A declaração da primeira-dama também foi contestada pelo partido de Flávio.
O PL afirmou que medicamentos gratuitos continuarão sendo distribuídos e rejeitou a afirmação de que o candidato pretenda extinguir o programa.
Isso não impede que políticas públicas sejam modificadas por um futuro governo, mas é diferente de afirmar que existe atualmente uma proposta anunciada para encerrar o Farmácia Popular.
Janja fez outras previsões sobre eventual governo Flávio
No mesmo vídeo, Janja fez uma série de críticas ao candidato do PL.
Ela afirmou que Flávio enterraria a discussão sobre o fim da escala 6x1, faria trabalhadores trabalharem “sete dias por semana”, prejudicaria direitos das mulheres e permitiria maior circulação de armas.
Também afirmou que, em uma eventual nova pandemia, o Brasil voltaria a ter “covas abertas”.
As declarações fazem parte do discurso político da primeira-dama no segundo turno e envolvem previsões sobre o que, na avaliação dela, aconteceria caso o adversário de Lula chegasse à Presidência.
Farmácia Popular atende milhões de brasileiros
O Farmácia Popular disponibiliza gratuitamente medicamentos e insumos por meio de estabelecimentos credenciados.
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, mais de 24,5 milhões de pessoas foram atendidas pelo programa somente em 2026.
Entre os medicamentos oferecidos estão tratamentos para hipertensão, diabetes, asma, colesterol alto, doença de Parkinson e glaucoma, além de outros produtos e insumos de saúde.
O que é possível afirmar até agora
Há três fatos que podem ser separados neste episódio:
1. Janja realmente afirmou que Flávio Bolsonaro acabaria com o Farmácia Popular.
2. Não foi encontrada, até o momento, declaração pública de Flávio anunciando essa medida.
3. O fim do programa não consta entre as propostas apresentadas em seu plano de governo.
Portanto, a afirmação deve ser apresentada como uma acusação ou previsão feita por Janja durante a campanha, e não como uma proposta comprovadamente defendida por Flávio Bolsonaro.
Fontes: Poder360; plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral; Ministério da Saúde; declarações públicas da campanha.