Lula eleva tom contra Flávio e diz que até “Comando Vermelho” subiria a rampa em eventual posse
Lula elevou o tom contra Flávio Bolsonaro e, em trecho atribuído à live de domingo, associou uma eventual posse do adversário a Vorcaro, Bolsonaro, Queiroz, milícias e até ao Comando Vermelho.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom dos ataques contra seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), durante uma transmissão ao vivo realizada no domingo (13) com militantes e influenciadores ligados ao PT.
Em trecho da transmissão que passou a circular nas redes sociais, Lula projetou quem, segundo sua própria avaliação política, estaria ao lado de Flávio em uma eventual cerimônia de posse.
“Se o Flávio ganhar, quem vai subir a rampa na posse é o Vorcaro, o pai dele, Bolsonaro, o Comando Vermelho, a milícia e o Queiroz.”
A declaração associa o candidato do PL ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a Fabrício Queiroz, às milícias e até à facção criminosa Comando Vermelho.
É importante destacar que essas associações foram feitas por Lula no contexto de um discurso político-eleitoral e não significam, por si mesmas, que Flávio Bolsonaro possua vínculo comprovado com o Comando Vermelho ou que integrantes da organização participariam de um eventual governo.
Lula endurece discurso contra adversário
A fala ocorreu durante uma live voltada à mobilização da militância petista na reta final da campanha eleitoral.
Lula fez uma série de ataques a Flávio Bolsonaro e relacionou seu adversário a diferentes investigações e personagens que ganharam destaque no noticiário político.
Em outro momento da transmissão, o presidente chamou Flávio de “miliciano” e fez acusações relacionadas ao escândalo de fraudes no INSS.
O presidente também voltou a mencionar Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, cuja relação com diferentes personagens da política brasileira tornou-se um dos principais assuntos das últimas semanas.
Vorcaro entrou no discurso eleitoral
Daniel Vorcaro passou a ocupar espaço cada vez maior na campanha presidencial depois que investigações revelaram relações financeiras e contatos do ex-banqueiro com políticos, empresários e autoridades.
Uma das frentes envolve recursos destinados ao projeto cinematográfico Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades relacionadas ao financiamento do projeto e afirma que os recursos foram destinados à produção cinematográfica.
As investigações continuam em andamento e não há condenação de Flávio relacionada ao episódio.
Comando Vermelho entra no ataque de Lula
O trecho que mais chamou atenção foi a inclusão do Comando Vermelho na declaração.
A facção criminosa atua principalmente no tráfico de drogas e possui presença em diferentes estados brasileiros.
A fala de Lula, entretanto, deve ser compreendida como uma acusação política feita durante a campanha. A declaração do presidente não constitui prova de ligação de Flávio Bolsonaro com a organização criminosa.
O mesmo cuidado vale para qualquer associação genérica entre um candidato e grupos criminosos: acusações dessa natureza precisam ser sustentadas por investigações, documentos ou decisões judiciais para serem apresentadas como fatos.
Queiroz também foi citado
Lula também mencionou Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Queiroz ficou nacionalmente conhecido a partir das investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o antigo gabinete de Flávio.
O caso gerou anos de disputas judiciais, com decisões que anularam provas e afetaram o prosseguimento das investigações.
Campanha entra em fase de confronto direto
A declaração mostra que a campanha presidencial entrou em uma fase de ataques cada vez mais diretos.
Lula vem utilizando investigações envolvendo o Banco Master e outros episódios para questionar Flávio Bolsonaro, enquanto o candidato do PL concentra seus ataques na crise do Supremo Tribunal Federal, em Alexandre de Moraes e em escândalos ocorridos durante o atual governo.
Em meio a esse confronto, acusações políticas precisam ser diferenciadas de fatos comprovados.
No caso da declaração de Lula, o fato noticioso é que o presidente fez associações extremamente graves contra seu adversário durante uma transmissão eleitoral. Isso não transforma automaticamente essas associações em fatos demonstrados.
Eleitor terá de separar retórica de provas
À medida que a eleição se aproxima, declarações desse tipo tendem a ganhar enorme repercussão nas redes sociais.
O debate democrático permite críticas duras entre adversários. Mas acusações envolvendo organizações criminosas, corrupção ou qualquer outro crime exigem uma distinção fundamental entre retórica eleitoral, suspeitas investigadas e fatos efetivamente comprovados.
Flávio Bolsonaro e Lula são adversários na disputa presidencial, e cabe ao eleitor avaliar as propostas, o histórico e as acusações feitas por cada lado com base nas informações disponíveis e nas provas apresentadas.
Fontes: transmissão de Lula realizada em 13 de setembro; UOL; Folha de S.Paulo; Estadão Conteúdo; publicações com trechos da transmissão nas redes sociais.