Marinho diz que 73% dos presos votaram em Lula, bate boca com ministro e tem microfone cortado no Senado
Rogério Marinho afirmou no Senado que 73% dos presos votaram em Lula, provocou reação de Camilo Santana e teve o microfone cortado por Davi Alcolumbre. O percentual citado não foi comprovado.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) protagonizou um bate-boca no plenário do Senado Federal, nesta quinta-feira (15 de outubro), após afirmar que 73% dos presos teriam votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração provocou reação do senador Camilo Santana (PT-CE) e terminou com a intervenção do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o corte do microfone de Marinho.
O episódio ocorreu durante a discussão sobre o aumento do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), proposta que avançou no Congresso em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Marinho associa votação de presos ao PT
Durante seu pronunciamento, Rogério Marinho utilizou o percentual de 73% para estabelecer uma comparação política entre o PT e a oposição.
O senador afirmou que a diferença entre os dois grupos estaria na relação com a criminalidade e sustentou que a maioria da população carcerária teria votado em Lula.
A declaração foi apresentada como argumento político durante o discurso. Entretanto, o percentual mencionado não foi acompanhado de fonte ou levantamento verificável nas reportagens consultadas.
Por isso, não é possível afirmar que 73% de todos os presos brasileiros tenham votado no presidente.
Camilo Santana reage e discussão aumenta
A manifestação provocou reação de Camilo Santana, senador do PT pelo Ceará, que rebateu a associação feita por Marinho entre o partido e a criminalidade.
Durante a troca de acusações, Camilo declarou: "Quem condecorou miliciano não fomos nós".
O confronto verbal elevou a tensão no plenário, levando Davi Alcolumbre a intervir para restabelecer a ordem e dar continuidade aos trabalhos legislativos.
Davi Alcolumbre intervém e microfone é cortado
Com a discussão em andamento, o presidente do Senado pediu que Rogério Marinho concluísse sua manifestação.
O parlamentar insistiu em desenvolver seu argumento sobre o posicionamento político dos eleitores e a população carcerária.
Diante da continuidade do confronto, Alcolumbre determinou o encerramento da fala, e o microfone do senador foi cortado.
O episódio ganhou repercussão por ocorrer durante um debate legislativo sobre medidas econômicas destinadas aos pequenos empreendedores.
Discussão começou com proposta para os MEIs
Antes da troca de acusações, Rogério Marinho comentava a proposta de ampliação do teto de faturamento do Microempreendedor Individual.
O senador reconheceu a importância de atualizar o limite permitido para a categoria, mas criticou a condução da política fiscal do governo federal.
Segundo Marinho, medidas que envolvem renúncia de receitas e novas despesas precisam ser acompanhadas de planejamento orçamentário para evitar desequilíbrios nas contas públicas.
O parlamentar também questionou o momento escolhido para a votação de propostas com impacto econômico, a poucos dias do segundo turno presidencial.
Percentual de 73% exige contextualização
A afirmação de que 73% dos presos votaram em Lula não pode ser interpretada como um resultado oficial de toda a população carcerária brasileira.
No Brasil, pessoas presas provisoriamente que não tiveram seus direitos políticos suspensos podem votar, desde que atendam às condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Já pessoas com condenação criminal transitada em julgado ficam com os direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação.
Além disso, os resultados eleitorais não permitem identificar individualmente o voto de cada eleitor, pois o voto é secreto.
Mesmo quando existem resultados de seções eleitorais instaladas em estabelecimentos prisionais, esses números não representam automaticamente todos os presos do país.
Episódio amplia tensão entre governo e oposição
A discussão ocorre em um momento de forte polarização política, com governo e oposição disputando espaço no Congresso e apresentando críticas sobre segurança pública, economia e prioridades orçamentárias.
Rogério Marinho tem participado ativamente das articulações da oposição e da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
O episódio terminou com a intervenção da presidência do Senado, mas reforçou o clima de confronto político entre os parlamentares durante a reta final das eleições.
Fontes: O Antagonista (15/10/2026), GP1 (16/10/2026) e CNN Brasil (15/10/2026).