Míriam Leitão eleva críticas a Flávio e vê “risco extremo” para democracia em eventual vitória
Míriam Leitão intensificou as críticas a Flávio Bolsonaro e afirmou que uma eventual vitória do candidato representaria, em sua avaliação, um “risco extremo” para a democracia. As declarações provocaram reações contra a comentarista e a Globo nas redes, mas uma frase atribuída a Airton Bueno não pôde ser confirmada de forma independente.
A jornalista Míriam Leitão intensificou suas críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) após o primeiro turno da eleição presidencial e voltou a colocar a preservação das instituições democráticas no centro de suas análises.
Em coluna publicada pelo jornal O Globo nesta semana, Míriam classificou como preocupante o cenário de uma eventual vitória de Flávio diante da nova composição do Congresso Nacional.
Na avaliação da comentarista, o fortalecimento da direita na Câmara e no Senado poderia dar ao candidato do PL instrumentos políticos que seu pai, Jair Bolsonaro, não possuía na mesma proporção quando ocupou a Presidência.
Míriam fala em “risco extremo”
A coluna publicada por Míriam nesta terça-feira (6) recebeu o título “O risco extremo da democracia”.
No texto, a jornalista apresenta cenários distintos para os dois candidatos que disputam o segundo turno.
Segundo sua análise, Lula enfrentaria dificuldades para governar diante de um Congresso fortalecido à direita. Já Flávio poderia encontrar uma base parlamentar mais favorável para promover mudanças institucionais.
Míriam relaciona esse cenário ao histórico político da família Bolsonaro e sustenta que existe risco de aprofundamento de um projeto que ela classifica como autoritário.
Essa é uma avaliação política da colunista, e não uma constatação de que um eventual governo Flávio Bolsonaro necessariamente provocaria uma ruptura democrática.
Críticas começaram antes do segundo turno
A preocupação manifestada por Míriam não surgiu depois do resultado das urnas.
Antes do primeiro turno, a jornalista já havia defendido que Flávio apresentasse ao país um compromisso explícito com a democracia.
Em uma de suas análises, afirmou que a principal questão em torno da candidatura do senador não seria apenas seu programa econômico, mas quais garantias existiriam de preservação das instituições em um eventual governo.
Flávio e seus aliados rejeitam esse tipo de interpretação e sustentam que suas propostas de mudanças institucionais serão realizadas dentro das regras constitucionais e por meio do Congresso Nacional.
Flávio fala em “mudar a Constituição”
O debate ganhou novo combustível depois de Flávio afirmar, em Goiânia, que pretende aproveitar a nova composição do Congresso para promover alterações constitucionais caso vença a eleição.
Ao comemorar o crescimento da direita na Câmara e no Senado, o candidato declarou que pretende utilizar essa força política para “mudar a Constituição” e, em suas palavras, “redemocratizar esse país”.
Seu plano de governo prevê mudanças relacionadas ao Supremo Tribunal Federal, incluindo limitações às decisões monocráticas, alterações nas competências criminais da Corte e mudanças nas regras do foro privilegiado.
Alterações constitucionais, entretanto, dependem da aprovação de três quintos dos deputados e senadores, em dois turnos em cada Casa. O presidente da República não pode modificar sozinho a Constituição.
Críticas à Globo também aparecem nas redes
As manifestações de Míriam provocaram reações de usuários e comentaristas nas redes sociais, incluindo críticas à postura de profissionais da Globo durante a campanha presidencial.
Uma frase que circula nas redes afirma que, caso a Globo não reveja seus comentaristas, a emissora poderia perder cada vez mais espaço junto ao público.
Até o momento, porém, não foi possível confirmar de maneira independente a origem de uma publicação que atribui especificamente essa declaração a Airton Bueno. Por isso, a autoria não deve ser apresentada como confirmada sem acesso à publicação original.
Análise política ou posicionamento eleitoral?
A discussão também levanta uma questão mais ampla sobre o papel dos comentaristas durante uma eleição.
Colunistas e comentaristas políticos têm liberdade para emitir opiniões, fazer prognósticos e criticar candidatos. Em veículos que separam reportagem de conteúdo opinativo, uma coluna assinada não possui a mesma natureza de uma notícia produzida pela redação.
Ao mesmo tempo, quanto mais diretamente um comentarista classifica determinado candidato como ameaça ou risco ao país, maior tende a ser o debate público sobre onde termina a análise jornalística e começa o posicionamento político.
No segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, essa discussão deverá continuar acompanhando a própria disputa eleitoral, especialmente porque temas como democracia, atuação do STF, liberdade de imprensa e limites entre os Poderes estão entre os principais pontos de confronto entre os dois campos políticos.
Fontes: O Globo; Academia Brasileira de Letras; CBN; declarações públicas dos candidatos.