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Na ONU, Lula acusa governo Netanyahu de “genocídio” em Gaza e também condena terrorismo do Hamas

Na ONU, Lula acusa governo Netanyahu de “genocídio” em Gaza e também condena terrorismo do Hamas

Lula acusou o governo Netanyahu de praticar “genocídio” contra palestinos em Gaza durante discurso na ONU, mas também condenou os atos terroristas do Hamas contra civis israelenses. Israel rejeita a acusação de genocídio.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer uma das mais duras acusações contra o governo de Israel durante seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York.

Diante de representantes de diversos países, Lula afirmou que gerações de palestinos carregarão as consequências da guerra na Faixa de Gaza e classificou a atuação do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como “genocídio”.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza.”

A declaração colocou novamente o presidente brasileiro em confronto político e diplomático com a posição defendida pelo governo israelense.

Lula também condenou o Hamas

Logo depois de acusar o governo Netanyahu, Lula também condenou diretamente os ataques praticados pelo Hamas contra a população israelense.

“Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas.”

A sequência das duas declarações é importante para compreender a posição apresentada pelo presidente brasileiro na ONU: Lula responsabilizou o governo israelense pelo que classificou como genocídio em Gaza, mas também classificou como terroristas os ataques do Hamas contra civis de Israel.

Netanyahu foi citado nominalmente

Durante a parte do discurso dedicada ao Oriente Médio, Lula mencionou diretamente o governo Netanyahu.

O presidente brasileiro também criticou pressões contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) e saiu em defesa de Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados.

Lula afirmou ainda que a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia dificulta cada vez mais a solução de dois Estados.

Para o governo brasileiro, a criação de Estados israelense e palestino capazes de coexistir é o caminho para uma solução duradoura do conflito.

Israel rejeita acusação de genocídio

A utilização da palavra “genocídio” por Lula representa a posição política expressada pelo presidente brasileiro e é contestada pelo governo de Israel.

Israel nega que esteja promovendo genocídio contra os palestinos e afirma que suas operações militares têm como objetivo atingir o Hamas e outras organizações armadas.

O governo israelense também sustenta que o Hamas opera em áreas densamente povoadas e utiliza infraestrutura civil, argumento usado por Israel para explicar parte do elevado impacto da guerra sobre a população de Gaza.

Críticos de Israel, organizações humanitárias e diferentes autoridades internacionais contestam aspectos dessa justificativa e apontam a enorme destruição e o número de vítimas civis provocados pelas operações militares.

Netanyahu promete responder às críticas na ONU

Benjamin Netanyahu também deverá utilizar a Assembleia-Geral para defender a atuação de Israel.

Antes de seu pronunciamento, o primeiro-ministro afirmou que pretende apresentar o que considera ser “a verdade” sobre as ações israelenses e responder às acusações feitas contra seu governo.

O conflito começou após os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, quando aproximadamente 1.200 pessoas foram mortas e cerca de 250 foram sequestradas, segundo dados israelenses.

A resposta militar de Israel provocou dezenas de milhares de mortes na Faixa de Gaza. Autoridades de saúde do território palestino apontam mais de 70 mil mortos desde o início da guerra; os números não distinguem de forma completa civis de combatentes.

Disputa sobre o termo “genocídio”

A classificação jurídica dos acontecimentos em Gaza como genocídio é objeto de uma disputa internacional e não deve ser apresentada simplesmente como uma conclusão jurídica definitiva.

Lula utiliza o termo de maneira categórica em seus pronunciamentos, assim como outras autoridades e organizações internacionais.

Israel rejeita a acusação.

Por isso, ao reproduzir a declaração presidencial, a distinção é fundamental: Lula afirmou que o governo Netanyahu pratica genocídio; essa acusação é contestada por Israel e continua no centro de disputas políticas e jurídicas internacionais.

Brasil mantém defesa da solução de dois Estados

Apesar das fortes críticas ao governo Netanyahu, Lula voltou a defender uma solução que permita a israelenses e palestinos viverem em segurança.

O presidente brasileiro citou os antigos líderes Yasser Arafat e Yitzhak Rabin como exemplos de dirigentes que buscaram construir um acordo de paz.

Ao colocar no mesmo trecho de seu discurso a acusação contra Netanyahu e a condenação aos ataques terroristas do Hamas, Lula buscou apresentar a posição brasileira como contrária tanto às ações do governo israelense que critica quanto ao terrorismo praticado contra civis israelenses.

A declaração, porém, mantém aberta uma profunda divergência diplomática entre o governo brasileiro e Israel sobre a caracterização das operações militares realizadas na Faixa de Gaza.

Fontes: discurso oficial de Luiz Inácio Lula da Silva na 81ª Assembleia-Geral da ONU; Reuters; Folha de S.Paulo; Poder360.

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