“Onde o PT estiver, estarei contra”: Zema sinaliza posição em eventual 2º turno entre Lula e Flávio
Romeu Zema afirmou que estará “contra o PT” caso não chegue ao segundo turno. Questionado sobre uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, porém, não declarou formalmente apoio ao candidato do PL.
O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) deu nesta quarta-feira (23) uma indicação clara de qual lado pretende ocupar caso não avance para o segundo turno e a disputa fique entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Questionado pelo Metrópoles após o debate presidencial promovido pela Veja, em São Paulo, Zema evitou declarar diretamente apoio ao senador do PL, mas deixou explícita sua oposição ao Partido dos Trabalhadores.
“Onde o PT estiver, eu estarei contra o PT.”
A declaração foi dada quando Zema foi questionado especificamente sobre como se posicionaria diante de um eventual confronto entre Lula e Flávio.
Zema ainda acredita que estará no segundo turno
Antes de responder sobre qual posição adotaria, o candidato do Novo ressaltou que ainda trabalha com a possibilidade de avançar pessoalmente para a segunda etapa da eleição.
Segundo Zema, a disputa ainda não terminou e sua campanha continuará buscando votos até o primeiro turno.
Foi somente depois dessa ressalva que o candidato reiterou sua posição histórica de oposição ao PT.
“Estou na política por causa do PT”
Zema afirmou que sua entrada na vida política foi motivada, entre outros fatores, pela situação econômica enfrentada pelo Brasil durante os governos petistas.
Ao justificar sua posição, o candidato também voltou a criticar a situação de Minas Gerais quando assumiu o governo estadual.
“O PT destruiu Minas Gerais, eu assumi um Estado quebrado, falido, destruído, desacreditado.”
A declaração representa a avaliação política de Zema sobre as administrações petistas. Minas Gerais enfrentava, de fato, uma grave crise fiscal quando ele assumiu o governo em janeiro de 2019, incluindo dificuldades financeiras e problemas relacionados ao pagamento de servidores e obrigações do Estado.
A responsabilidade pelas causas e pela dimensão daquela crise, entretanto, envolve fatores acumulados ao longo de diferentes governos e políticas públicas e não se resume, por si só, à caracterização feita pelo candidato.
Mas Zema não declarou apoio formal a Flávio
Existe uma diferença importante entre a declaração feita por Zema e um anúncio formal de apoio a Flávio Bolsonaro.
Questionado sobre um eventual segundo turno entre os dois principais adversários, o candidato do Novo não respondeu diretamente “apoiarei Flávio”.
Em vez disso, afirmou que estará contra o PT.
A própria Veja registrou que Zema não descartou uma possível aliança com o bolsonarismo caso esse cenário eleitoral se concretize.
Portanto, neste momento, o que existe é uma sinalização política, e não um anúncio formal de apoio.
Zema também criticou Flávio no debate
A declaração ocorre apesar de Zema também ter direcionado críticas a Flávio Bolsonaro durante o encontro.
Durante o debate, Zema e Ronaldo Caiado (PSD) associaram tanto Lula quanto Flávio às controvérsias envolvendo o Banco Master e defenderam investigações sobre possíveis irregularidades.
Zema também já havia feito críticas públicas ao senador em outros momentos da campanha.
Isso ajuda a explicar por que, ao ser questionado sobre o segundo turno, o candidato preferiu enfatizar sua oposição ao PT em vez de declarar apoio nominal a Flávio.
Lula, Flávio e Renan não participaram do debate
O debate promovido pela Veja acabou tendo apenas Romeu Zema e Ronaldo Caiado no palco.
Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos (Missão) não participaram do encontro.
Augusto Cury (Avante), que havia confirmado presença, cancelou sua participação por causa de um compromisso pessoal após a morte de um integrante de sua campanha.
Com a ausência dos demais concorrentes, Zema e Caiado concentraram boa parte do debate em críticas aos candidatos que não estavam presentes.
Posição fica clara, apoio ainda não
A menos de duas semanas do primeiro turno, Zema continua afirmando que pretende chegar à etapa final da eleição.
Mas sua declaração desta quarta-feira estabelece uma posição caso isso não aconteça: se o PT estiver no segundo turno, Zema diz que estará do lado contrário.
Se isso significará um apoio formal a Flávio Bolsonaro, voto declarado ou participação ativa em uma eventual campanha do candidato do PL é algo que Zema ainda não anunciou.
Fontes: Metrópoles; Veja.