BaseNews Jornalismo com contexto dentro da Mistago
PT suspeita de acordo entre Temer e Flávio para “salvar” Moraes; aliados negam

PT suspeita de acordo entre Temer e Flávio para “salvar” Moraes; aliados negam

Aliados de Lula suspeitam que o apoio de Michel Temer a Flávio Bolsonaro envolveria um acordo para evitar o impeachment de Alexandre de Moraes. Temer e Flávio negam a existência da negociação, enquanto Nikolas Ferreira afirma que o impeachment do ministro é “inegociável”. Não há prova pública do suposto acordo.

WhatsApp

Lideranças do PT e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a levantar uma suspeita sobre o apoio do ex-presidente Michel Temer (MDB) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.

Segundo informações do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, integrantes do grupo avaliam que Temer poderia ter negociado algum tipo de compromisso para evitar um eventual processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), caso Flávio seja eleito.

Não há, porém, comprovação pública da existência desse acordo. Interlocutores de Temer e de Flávio negam que uma negociação dessa natureza tenha ocorrido.

Temer foi responsável pela indicação de Moraes

Alexandre de Moraes chegou ao Supremo em 2017 por indicação de Michel Temer, que ocupava a Presidência da República.

Agora, quase dez anos depois, Temer decidiu apoiar Flávio Bolsonaro justamente em um momento em que setores da direita eleitos para o novo Senado prometem pressionar pela abertura de processos contra integrantes da Corte.

Foi essa combinação de fatores que alimentou as suspeitas entre integrantes da campanha petista.

Aliado de Lula fala em acordo

Um dos que defendem publicamente essa interpretação é o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo.

Ao Metrópoles, ele afirmou acreditar que Temer teria negociado uma proteção para Moraes.

“Deve ter feito um acordo para salvar o seu ministro.”

Marco Aurélio também chamou Temer de “velhaco da política” e fez outras críticas ao apoio do ex-presidente a Flávio.

As declarações representam a interpretação política do integrante da campanha de Lula e não comprovam a existência de um acordo entre Temer e Flávio.

Petistas especulam até aposentadoria antecipada

Outra liderança nacional do PT ouvida reservadamente pela coluna apresentou uma hipótese ainda mais específica.

Segundo essa avaliação, uma eventual negociação poderia envolver a saída antecipada de Alexandre de Moraes do Supremo em 2027, evitando que um processo de impeachment avançasse no novo Senado.

Nesse cenário especulado pelo dirigente petista, Moraes deixaria o STF antes de assumir a presidência da Corte, prevista para setembro de 2027.

A hipótese, entretanto, é apenas uma avaliação de bastidores. Não há anúncio de Moraes sobre aposentadoria antecipada nem confirmação de negociação envolvendo sua permanência no Supremo.

Temer e Flávio negam acordo

Interlocutores ligados a Michel Temer e Flávio Bolsonaro negaram ao Metrópoles que exista qualquer acordo para impedir um eventual impeachment de Moraes.

O próprio apoio de Temer a Flávio foi anunciado publicamente depois do primeiro turno.

Ao justificar sua decisão, o ex-presidente afirmou que as urnas demonstraram desejo de mudança e associou o crescimento da direita no Congresso e o desempenho de Flávio a uma renovação desejada pelo eleitorado.

Nikolas: impeachment é “inegociável”

Enquanto petistas levantam a hipótese de um acordo, integrantes do campo bolsonarista afirmam justamente o contrário.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que uma tentativa de impeachment de Alexandre de Moraes continuará na pauta quando os novos senadores assumirem seus mandatos.

“Não adianta o Alexandre de Moraes fazer nenhum aceno agora, que a gente vai impichar ele com o novo Senado. Isso não tem negociação. É inegociável.”

A declaração foi dada depois de Moraes autorizar a progressão de regime de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom.

PL chegará a 2027 com 28 senadores

O resultado das eleições fortaleceu significativamente o PL no Senado.

Com os parlamentares eleitos e aqueles que ainda possuem mandato, o partido deverá iniciar 2027 com 28 das 81 cadeiras, formando a maior bancada da Casa.

Dirigentes do PL avaliam que a nova composição permitirá construir maioria favorável à abertura de processos contra ministros do STF.

Essa avaliação, entretanto, não significa que o impeachment de Moraes esteja garantido.

A tramitação depende de decisões institucionais no Senado e um eventual afastamento exige o apoio de dois terços dos senadores — 54 dos 81 parlamentares.

Suspeita do PT ainda não tem comprovação

Até o momento, portanto, existem três posições diferentes no episódio: dirigentes petistas suspeitam de um acordo para proteger Moraes; interlocutores de Temer e Flávio negam qualquer negociação; e integrantes do bolsonarismo afirmam publicamente que continuarão trabalhando pelo impeachment do ministro.

Sem documentos, declarações dos envolvidos confirmando uma negociação ou outras evidências independentes, não é possível apresentar a existência de um acordo Temer-Flávio como fato.

Fonte principal: Coluna Igor Gadelha/Metrópoles. Informações adicionais: Folha de S.Paulo e UOL.

Localizacao atualizada.
Radio Aliança | FM 105,9 - Porto Velho RO
Radio online