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Barbosa, Moro, Mendonça: mudam os nomes, mas o Brasil continua procurando um “salvador” contra a corrupção

Barbosa, Moro, Mendonça: mudam os nomes, mas o Brasil continua procurando um “salvador” contra a corrupção

De Joaquim Barbosa a Sergio Moro e agora André Mendonça, diferentes figuras foram transformadas em símbolos de esperança contra a corrupção. A história levanta uma questão: por que o Brasil continua procurando indivíduos para desempenhar um papel que deveria caber a instituições fortes?

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Primeiro, Joaquim Barbosa.

Depois, Sergio Moro.

Agora, em meio à crise envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal (STF), o nome de André Mendonça passou a ocupar espaço semelhante no imaginário de parte da população brasileira.

São personagens diferentes, de épocas diferentes e com atuações institucionais que não podem ser tratadas como equivalentes.

Mas existe um fenômeno que parece se repetir: diante de grandes escândalos, uma parcela da sociedade deposita sua esperança em uma pessoa que passa a simbolizar o enfrentamento à corrupção e ao poder.

Os nomes mudam. A expectativa permanece.

Joaquim Barbosa e o Mensalão

Na década passada, um dos maiores símbolos desse fenômeno foi Joaquim Barbosa.

Ministro e posteriormente presidente do STF, Barbosa ganhou enorme projeção nacional durante o julgamento da Ação Penal 470, conhecida como Mensalão.

Sua atuação no julgamento transformou o então ministro em uma das figuras mais conhecidas do Judiciário brasileiro.

Barbosa chegou a ser apontado publicamente como possível candidato à Presidência da República, mas deixou o Supremo em 2014 e não seguiu naquele momento o caminho eleitoral que muitos de seus admiradores esperavam.

O personagem saiu do centro do palco. Os problemas estruturais brasileiros, evidentemente, permaneceram.

Depois veio Sergio Moro

Anos depois, outro nome assumiu enorme protagonismo.

Como juiz federal em Curitiba, Sergio Moro tornou-se a principal figura pública associada à Operação Lava Jato.

A operação revelou grandes esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, resultou em prisões, acordos e recuperação de recursos, mas também passou posteriormente por fortes questionamentos jurídicos.

Em 2021, o STF declarou Moro suspeito na condução do processo do tríplex envolvendo Lula. A Corte também confirmou a anulação das condenações do petista decorrentes da 13ª Vara Federal de Curitiba por considerar aquele juízo incompetente para os casos.

Moro deixou a magistratura em 2018, tornou-se ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro e posteriormente ingressou definitivamente na política, sendo eleito senador pelo Paraná.

Independentemente das diferentes avaliações sobre sua atuação, durante anos seu nome foi tratado por milhões de brasileiros como símbolo pessoal do combate à corrupção.

Agora os holofotes chegam a André Mendonça

Em 2026, um novo personagem passou a ocupar o centro de uma crise envolvendo algumas das instituições mais poderosas da República.

André Mendonça, ministro do STF, tornou-se protagonista das investigações e disputas relacionadas ao Banco Master.

O caso acabou provocando um confronto aberto entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes.

Moraes apresentou uma representação contra Mendonça, apontando possíveis irregularidades na condução de procedimentos relacionados ao Banco Master e ao INSS.

Mendonça reagiu nesta semana pedindo ao presidente do Supremo, Edson Fachin, o arquivamento da representação.

Foi além.

O ministro defendeu que sejam apuradas possíveis condutas de Moraes e mencionou hipóteses como abuso de autoridade e denunciação caluniosa.

As acusações ainda precisam ser analisadas e não significam que Moraes tenha cometido os crimes mencionados.

Mendonça começa a ganhar apoio popular

À medida que o confronto dentro do Supremo ganhou repercussão, manifestações de apoio a Mendonça passaram a aparecer nas redes sociais e no debate político.

Para seus apoiadores, o ministro estaria disposto a enfrentar pressões internas e levar adiante investigações mesmo quando elas alcançam pessoas poderosas.

Críticos de Mendonça, por outro lado, questionam decisões tomadas por ele e alegam possível atuação político-eleitoral. Essas críticas também fazem parte da disputa que atualmente divide o Supremo e setores políticos.

O mérito das acusações de ambos os lados ainda depende de análise institucional.

O perigo de depender de um único nome

É justamente aqui que a história brasileira deixa uma reflexão.

Quando o combate à corrupção passa a depender da popularidade, da coragem ou das decisões de uma única pessoa, as instituições ficam em segundo plano.

Um ministro pode se aposentar.

Um juiz pode deixar a magistratura.

Um investigador pode ser substituído.

Um procurador pode deixar o cargo.

Um político pode perder uma eleição.

Mas as instituições precisam continuar funcionando depois que esses personagens saem de cena.

Não deveria importar quem está sendo investigado

Em uma República institucionalmente sólida, investigar possíveis irregularidades não deveria depender do sobrenome, do partido, da posição ideológica ou do cargo ocupado pelo investigado.

Da mesma maneira, uma acusação não pode ser considerada verdadeira simplesmente porque foi apresentada contra alguém poderoso.

É necessário investigar, garantir direito de defesa, produzir provas e permitir que as instituições competentes decidam.

O mesmo princípio precisa valer para presidente da República, parlamentar, empresário, banqueiro, juiz ou ministro do Supremo.

Nem proteção automática para autoridades, nem condenação antecipada pela opinião pública.

Barbosa passou. Moro passou. Mendonça também passará

Joaquim Barbosa deixou o Supremo.

Sergio Moro deixou a magistratura e entrou para a política.

E, em algum momento, André Mendonça também deixará o STF.

É justamente por isso que um país não pode construir sua esperança de Justiça em torno de uma única pessoa.

O verdadeiro teste não é descobrir quem será o próximo personagem transformado em símbolo nacional.

O teste é saber se Polícia Federal, Ministério Público, Judiciário, Congresso e órgãos de controle conseguem funcionar independentemente de quem esteja sendo investigado — e também independentemente de quem esteja conduzindo a investigação.

Muda o nome. E o sistema?

Talvez essa seja a pergunta mais importante.

Ao longo das últimas décadas, o Brasil assistiu ao surgimento e à queda de diferentes símbolos do combate à corrupção.

Primeiro, Barbosa.

Depois, Moro.

Agora, Mendonça.

Não são personagens iguais e suas trajetórias não devem ser confundidas.

Mas a sucessão de figuras transformadas em esperança nacional revela uma dificuldade recorrente: a busca por alguém capaz de resolver aquilo que deveria ser resolvido pelo funcionamento permanente das instituições.

Um país sério não depende de salvadores. Depende de instituições que investiguem, julguem e, quando houver provas e condenação, punam — seja quem for.

Porque os nomes inevitavelmente passam.

As instituições precisam permanecer.

Muda o nome. O sistema fica.

Até quando, Brasil?

Fontes: Supremo Tribunal Federal (STF); Folha de S.Paulo; UOL; registros públicos sobre o Mensalão, a Operação Lava Jato e os atuais procedimentos relacionados ao Banco Master.

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