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Celular de Vorcaro revela 316 registros com Moraes antes da prisão, aponta investigação jornalística

Celular de Vorcaro revela 316 registros com Moraes antes da prisão, aponta investigação jornalística

Celular de Daniel Vorcaro registra 316 interações associadas a Alexandre de Moraes antes da prisão, segundo reportagem. Ministro nega conversas e questiona provas.

WhatsApp

Uma reportagem publicada nesta sexta-feira (6) revelou novos detalhes sobre os registros de comunicação entre o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo levantamento realizado pelos jornalistas Cézar Feitoza, Natália Portinari e Fabio Serapião, do UOL, o celular do banqueiro apresenta 316 interações associadas ao contato do magistrado nos dois meses anteriores à primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025.

A descoberta amplia as informações conhecidas sobre a relação entre os dois e acrescenta novos elementos a uma controvérsia que envolve a atuação de autoridades, a investigação sobre o Banco Master e os questionamentos sobre a integridade de provas digitais.

O material analisado foi extraído de bancos de dados secundários do WhatsApp e de registros internos do iPhone apreendido pela Polícia Federal. A reportagem identificou mensagens, imagens, chamadas e outros registros associados à comunicação entre os contatos.

Levantamento identifica 316 interações em dois meses

De acordo com a apuração, os registros abrangem o período de 17 de setembro a 17 de novembro de 2025, data em que Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez e teve seu aparelho celular apreendido.

Dos 316 registros identificados, 187 correspondem a mensagens enviadas pelo banqueiro ao contato atribuído a Alexandre de Moraes. Os outros 129 incluem mensagens atribuídas ao ministro e notificações do próprio sistema.

É importante esclarecer que o número total não corresponde necessariamente a 316 conversas completas. A contagem considera diferentes tipos de interação, incluindo mensagens de texto, fotografias, chamadas, ligações não atendidas e registros técnicos do aplicativo.

Parte do conteúdo não pôde ser recuperada integralmente, especialmente porque os contatos utilizavam recursos de mensagens temporárias e imagens de visualização única, segundo a reportagem.

Mensagens inéditas indicariam proximidade entre os dois

Até então, haviam sido divulgadas informações sobre 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao contato associado ao ministro. O novo levantamento identificou outras 17 mensagens que ainda não haviam sido publicadas.

Entre os registros recuperados está uma mensagem de 24 de outubro de 2025 na qual o contato atribuído a Moraes utiliza a expressão "Obrigado amigo", em resposta a uma imagem enviada pelo empresário.

Outras conversas, atribuídas aos dois contatos, abordam assuntos pessoais e familiares. O conteúdo foi interpretado pela reportagem como indicativo de uma relação de proximidade entre o banqueiro e o magistrado.

Entretanto, a existência desses registros, por si só, não comprova que tenha ocorrido favorecimento institucional, interferência em investigações ou qualquer outra conduta ilícita.

Registros apontam possível encontro antes da prisão

Um dos pontos mais relevantes da apuração envolve mensagens de 14 de novembro de 2025, três dias antes da prisão de Daniel Vorcaro.

Segundo o levantamento, os contatos trocaram mensagens relacionadas à chegada do empresário a Brasília. O diálogo inclui perguntas sobre o desembarque e uma resposta indicando deslocamento para um possível encontro.

A sequência sugere que havia uma combinação para uma reunião na capital federal. Contudo, a reportagem não confirmou que o encontro tenha efetivamente acontecido.

A diferença é importante: mensagens que sugerem a intenção de encontrar alguém não demonstram, isoladamente, que a reunião ocorreu ou qual teria sido seu objetivo.

Defesa de Moraes contesta autenticidade das conversas

Alexandre de Moraes já havia contestado informações relacionadas às supostas conversas com Vorcaro. Em manifestação apresentada no âmbito do caso, o ministro negou a existência dos diálogos atribuídos a ele e questionou a confiabilidade dos registros utilizados na investigação.

O magistrado também levantou dúvidas sobre a cadeia de custódia do celular apreendido, procedimento destinado a documentar a preservação, o manuseio e a integridade de elementos probatórios.

A defesa de Daniel Vorcaro igualmente apresentou questionamentos sobre o tratamento dado ao aparelho após sua apreensão.

Os advogados do banqueiro contrataram uma análise técnica que apontou modificações em arquivos do celular depois da apreensão. Entretanto, a identificação dessas alterações não constitui, por si só, comprovação de adulteração deliberada das mensagens.

Na publicação de 6 de novembro, o UOL informou que procurou o ministro e a defesa do empresário para comentar o novo levantamento, mas não recebeu manifestações sobre os dados apresentados.

Contrato do Banco Master com escritório da esposa de Moraes amplia questionamentos

A divulgação dos registros ocorre em meio a questionamentos anteriores sobre a relação comercial entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF.

Segundo informações divulgadas na imprensa, o escritório mantinha um contrato com o banco desde janeiro de 2024, com previsão de pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos, o que poderia alcançar aproximadamente R$ 130 milhões ao longo do período contratual.

O escritório afirmou anteriormente que Alexandre de Moraes não atuou no julgamento de causas relacionadas ao Banco Master.

A existência de um contrato de prestação de serviços advocatícios não demonstra automaticamente irregularidade. No entanto, os valores envolvidos e os registros de comunicação atribuídos ao ministro e ao banqueiro aumentaram o interesse público sobre a natureza dessa relação.

STF poderá analisar necessidade de investigação

Os novos elementos surgem enquanto o Supremo Tribunal Federal examina questionamentos relacionados ao caso. A possibilidade de abertura de investigação contra o ministro depende da análise dos procedimentos e das provas apresentados às autoridades competentes.

O episódio também reacende o debate sobre transparência institucional, integridade de provas digitais e mecanismos de responsabilização de autoridades públicas.

Para que eventuais irregularidades sejam estabelecidas, será necessário verificar a autenticidade dos registros, esclarecer o contexto das comunicações e identificar se houve alguma conduta incompatível com os deveres funcionais do magistrado.

Até o momento, a reportagem jornalística apresenta indícios de contatos frequentes e de possível proximidade pessoal, mas não constitui uma decisão judicial nem uma conclusão definitiva sobre a existência de crime.

A apuração divulgada nesta sexta-feira acrescenta informações relevantes ao caso Banco Master e deverá ampliar os questionamentos sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O esclarecimento dos fatos dependerá da avaliação das evidências e do respeito ao direito de defesa dos envolvidos.

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